O homem é o responsável pela maioria das tarefas ligadas à produção do guaraná. As mulheres só entram quando se descasca o guaraná cru e o torrado, uma vez que estas atividades são consideredas as mais simples dentro do conjunto geral do fabrico. Algumas actividades permitem a participação das meninas, mas só até à primeira menstruação porque depois elas adquirem o estatuto social de mulheres, transformando-se em esposas e mães. A quebra de tabu ocasionada pela entrada das mulheres (que já têm família construida) no fábrico de forma tão determinada, só pode ser compreendida através dos mitos.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Divisão sexual e etária do trabalho
O fábrico é um ciclo produtivo predominantemente masculino. No entanto, observamos que existe uma relação entre a divisão sexual do trabalho e a divisão do trabalho por faixa etária. A sociedade Sateré-Mawé prescreve para as atividades mais simples do fábrico, isto é, que não dependem de tanta arte e experiência, mãos de variadas idades. Mas, ao tratar-se das tarefas mais sofisticadas, encontramos sempre mãos de pessoas adultas ou idosas.
O homem é o responsável pela maioria das tarefas ligadas à produção do guaraná. As mulheres só entram quando se descasca o guaraná cru e o torrado, uma vez que estas atividades são consideredas as mais simples dentro do conjunto geral do fabrico. Algumas actividades permitem a participação das meninas, mas só até à primeira menstruação porque depois elas adquirem o estatuto social de mulheres, transformando-se em esposas e mães. A quebra de tabu ocasionada pela entrada das mulheres (que já têm família construida) no fábrico de forma tão determinada, só pode ser compreendida através dos mitos.
O homem é o responsável pela maioria das tarefas ligadas à produção do guaraná. As mulheres só entram quando se descasca o guaraná cru e o torrado, uma vez que estas atividades são consideredas as mais simples dentro do conjunto geral do fabrico. Algumas actividades permitem a participação das meninas, mas só até à primeira menstruação porque depois elas adquirem o estatuto social de mulheres, transformando-se em esposas e mães. A quebra de tabu ocasionada pela entrada das mulheres (que já têm família construida) no fábrico de forma tão determinada, só pode ser compreendida através dos mitos.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Cultura material e cosmologia
Na cosmologia Mawé, é dada grande importância ao Porantim. Este, é uma peça de madeira com cerca de metro e meio de altura, com desenhos geométricos gravados que são recobertos com tinta branca (tabatinga). A sua forma lembra um remo trabalhado.
Esta peça possui um "leque" de atributos: é o legislador social e, frequentemente, os Maués referem-se a ela como a sua biblia. Possui poderes de entidade mágica, podendo andar sozinho para apartar desavenças e conflitos internos. Constitui, também, o suporte onde estão gravados os mitos da origem do guaraná e da guerra. "Os filhos do Guaraná"
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| Paullinina Cupana |
Inventores da cultura do guaraná, os Sateré-Mawé transformaram a Paullinia Cupana (trepadeira silvestre da família das Sapindáceas) num arbusto cultivado, introduzindo a sua plantação e beneficiamento. O guaraná é uma planta nativa da região das terras altas da bacia hidrográfica do rio Maués-Açu, que coincide precisamente com o território tradicional da comunidade Sateré-Mawé.
Os Maués vêem-se como os inventores da cultura dessa planta e, por isso, consideram-se os "Filhos do Guaraná".
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| Guaraná |
O guaraná é o produto por excelência da economia Sateré-Mawé, sendo dos seus produtos comerciais o que obtém maior lucro no mercado. É possível ainda pensar que a vocação para o comércio demonstrada pelos Sateré-Mawé explique-se pela importância do guaraná na sua organização social e econômica.
O seu território e o contacto com os "brancos"
Segundo o relato dos velhos Sateré-Mawé, os seus ancestrais habitavam, em tempos imemoriais, o vasto território entre os rios Madeira e Tapajós, delimitado ao norte pelas ilhas Tupinambaranas, no rio Amazonas e, ao sul da foz do Tapajós.
No entanto, os Maués não consideram este o seu lugar de origem. Para esta comunidade o seu lugar de origem situa-se no Noçoquém, uma vez que é onde moraram os seus heróis míticos.
O primeiro contacto com os "brancos" foi na época de atuação da Companhia de Jesus. Em 1692, após terem matado alguns homens brancos, o governo declarou uma guerra justa (legal) contra eles, parcialmente evitada pelos índios, uma vez que estes foram avisados e espalharam-se, sendo que somente alguns ofereceram resistência.
A partir do contato com os brancos, e mesmo antes disso, devido a algumas guerras o território ancestral dos Sateré-Mawé foi sensivelmente reduzido. Epidemias e cruel perseguição aos grupos indígenas que com eles combatiam, devastaram enormes áreas da Amazónia, deslocando esses grupos dos seus territórios tradicionais ou reduzindo-os.
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